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Além da Autoeuropa, PSA também vai ter Clube de Fornecedores

Compete está a analisar o conjunto de entidades que vão integrar a lista de fornecedores da Autoeuropa e, agora, da PSA de Mangualde. Tem até ao fim do mês para se pronunciar. Clubes avançam depois.

in ECO, 17-07-2019


Foi a 23 de fevereiro de 2017 que a Bosch Portugal, a Universidade do Minho, cinco instituições de interface e 36 PME criaram oficialmente o Clube de Fornecedores. Passados mais de dois anos, e muita expectativa, há mais dois Clubes que estão prestes a ser formados. A Autoeuropa, mas agora também a PSA de Mangualde, são as empresas âncora que deverão incorporar mais PME nacionais como suas fornecedoras.

As listas de candidatos a fornecedores dos respetivos clubes foi entregue no Compete em março deste ano e a decisão de quem reúne os requisitos para obter apoios comunitários será tomada até ao final de julho. “As listas de ambas as empresas entrou em sistema em março e temos um acordo com a Aicep para que haja uma decisão até final de julho”, confirmou ao ECO fonte oficial do programa operacional para as empresas do Portugal 2020. Só depois deste passo será possível formalizar os dois novos Clubes de Fornecedores.

No âmbito do atual quadro comunitário de apoio foi aberto um concurso, em agosto de 2018, para escolher as empresas nucleares e em torno das quais será criada a rede de fornecedores. O passo seguinte será o de lançar concursos dedicados à capacitação das empresas que integram essa rede. Até agora só foi criado o Clube de Fornecedores com a Bosch. No caso da multinacional alemã, estava previsto que investisse 100 milhões de euros e criasse 300 postos de trabalho, para além de conduzir a um acréscimo de 80 milhões de euros de compras da Bosch a PME nacionais.
Os senhores que se seguem são a Autoeuropa, tal como o ECO já tinha avançado, e a PSA, agora a braços com com uma greve que vai paralisar a fábrica aos sábados.

Cada empresa nuclear apresentou a sua proposta de PME que quer ter como fornecedoras. Agora cabe ao Compete avaliar se reúnem as condições para poderem receber incentivos comunitários. Isto porque a figura escolhida para conceder esses apoios é a de um convite — dirigido especificamente a essas empresas — e não de um concurso aberto a todas as PME.

Fazer parte desta lista não garante que as PME se tornam automaticamente fornecedoras das empresas nucleares. No caso da Autoeuropa, por exemplo, é preciso que seja aberto um concurso para o fornecimento de uma determinada peça. Entre os fornecedores certificados, aquele que apresentar a melhor proposta, em termos de preço e qualidade, ganha o contrato. No entanto, a avaliação desses dois critérios é feita na Alemanha, no departamento de controlo e qualidade. A partir do momento em que uma empresa é escolhida recebe o rótulo ‘fornecedor Volkswagen’ e pode trabalhar para qualquer fábrica do grupo.

Para criar esta bolsa de fornecedores do clube foi feito um trabalho prévio de identificação, iniciado ainda quando Pedro Marques era ministro do Planeamento e Infraestruturas. O ECO sabe que, no caso específico da Autoeuropa, muitos dos nomes propostos já são fornecedores da fábrica de Palmela, mas a ideia é permitir que se qualifiquem ainda mais através do acesso que vão ter a fundos do Portugal 2020, aumentando o seu potencial. O objetivo final é incorporar o máximo de produção nacional que permita reduzir os custos logísticos, tendo em conta a distância da Autoeuropa face à casa mãe.

A criação de Clubes de Fornecedores visa “aumentar o valor acrescentado nacional e arranjar novas condições de fixação do investimento direto estrangeiro”, sublinhou ao ECO o secretário de Estado da Internacionalização. “Fizemos com a Bosch. A Autoeuropa será seguramente a seguir”, afirmou Eurico Brilhante Dias.

Um processo atribulado
Quando foi criado o primeiro clube de fornecedores, com a Bosch, o objetivo era avançar com quatro projetos-piloto. Três meses depois, o ECO avançava que o Executivo estava a lançar uma operação de charme à Embraer para que fosse a empresa alavancar o clube seguinte. Mas embora não tenha desistido, tal como garantiu fonte oficial da empresa ao ECO — a proposta de joint-venture entre a Embraer e Boeing complicou o processo.

“O Clube de fornecedores da Embraer não avançou, entre outras coisas, porque quando estava para avançar surgiu a questão da joint- venture“, explicou o secretário de Estado da Internacionalização. “A joint-venture da Boeing com a Embraer é uma decisão que hoje está votada pela assembleia-geral da Embraer. Mas que não está fechada. Falta, no essencial, a posição dos reguladores: americano, mas também europeu. Até termos a decisão do regulador europeu é necessário sermos cautelosos”, sublinhou Eurico Brilhante Dias.

Em abril de 2018, o então ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral disse que o Executivo estava em negociações com quatro empresas, sendo que duas estavam numa fase mais avançada, embora não estivesse confiante que chegaria a bom porto com todas elas. A Autoeuropa era uma dessa empresas, mas “levou mais de um ano a aceitar o convite” que lhe foi dirigido pelo Governo português, disse ao ECO uma fonte próxima do processo. Fonte oficial da Autoeuropa garante ao ECO que “o processo foi entregue no tempo devido” e que apenas aguarda “os próximos passos”.

Questionado pelo ECO sobre o que falta para que o processo seja concluído, Brilhante Dias explicou que “na Autoeuropa a disponibilidade é total e a manifestação de interesse também”. “Falta-nos que esta procura chega às empresas portuguesas para acionamos o mecanismo dos incentivos”, concluiu.

Neste processo também houve um encontro de fornecedores com a Renault, em maio de 2018, para “potenciar e aprofundar o relacionamento da Renault Cacia e das restantes fábricas mecânicas do Pólo Ibérico do Grupo Renault com a rede de fornecedores nacionais”, segundo explicou fonte oficial da Aicep. O objetivo foi “explorar eventuais parcerias e oportunidades na área de plásticos e borrachas”, mas não foi constituído nenhum Clube de Fornecedores.

 

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