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ACAP: “carros a diesel têm grande peso nas exportações e representaram 49,6% da produção nacional em 2018”

Cerca de metade da produção da indústria automóvel portuguesa – que emprega 72 mil trabalhadores – fabrica veículos com motores a gasóleo, com elevado peso na exportação, comenta a Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

in Jornal Económico, por João Palma Ferreira, 20-02-2019


 

O contributo dos “veículos a diesel na indústria automóvel nacional é decisivo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), representando 49,6% da produção das fábricas portuguesas do sector”, refere o secretário geral da Associação Automóvel de Portugal, Helder Pedro.

“Quando o ministro do Ambiente comentou o valor de mercado que os veículos a diesel vão ter daqui a uns anos, não teve em conta o peso que a produção de viaturas com motores a gasóleo tem na economia portuguesa, nem o seu contributo para as exportações ou para o crescimento do PIB”, referiu Helder Pedro.

Se é verdade que a venda de veículos ligeiros de passageiros a diesel registou uma quebra de 15,1% em janeiro de 2019, baixando para 6834 unidades, enquanto o mesmo segmento de veículos com motores a gasolina foi responsável pela venda de 7298 veículos, não deixa de ser menos verdade que “no segmento dos veículos comerciais ligeiros as vendas são esmagadoramente compostas por veículos com motores a gasóleo”, informa a ACAP.

“Em janeiro foram vendidos 2890 veículos comerciais ligeiros com motores a gasóleo, mas apenas foram vendidas três unidades com motores a gasolina e 22 unidades com motorização elétrica”, refere o secretário geral da ACAP.

“Todo o sector das empresas continua a procurar veículos a gasóleo, pelo que praticamente não existem frotas de comerciais a gasolina e o número de elétricos ainda é residual, o que faz com que os veículos comprados pelas PME e pelos empresários em nome individual, pelos profissionais liberais e por pequenos negócios, industrias e serviços ainda tenham na sua grande maioria motores a gasóleo”, comenta Helder Pedro. Ou seja, em janeiro de 2019 o total de vendas do mercado dos veículos ligeiros (passageiros mais comerciais ligeiros) foi composto em 52,28% por veículos com motores a diesel, segundo refere a ACAP.

Mais: na recente divulgação do “Plano Nacional Energia e Clima” é feita uma “projeção sobre o parque automóvel em 2030, onde se refere que nessa altura 40% dos veículos em circulação terão motores a diesel, o que não deixa de ser curioso atendendo a que o ministro do Ambiente disse que quem comprar carros diesel não terá valor na troca daqui a quatro anos”, comentou Helder Pedro.

Além da produção dos veículos comerciais ligeiros da fábrica de Mangualde – das marcas Peugeot, Citroën, e também Opel -, a produção dos modelos da fábrica da Mitsubishi Fuso no Tramagal é maioritariamente composta por veículos a gasóleo, da mesma forma que a fábrica da Autoeuropa em Palmela produz uma elevada percentagem de unidades com motores a diesel, recorda o responsável da ACAP.

“Se acrescentarmos as fábricas de componentes que produzem para modelos a gasóleo e incluirmos o valor total das exportações de viaturas com motores a diesel, temos um montante global de exportações e um peso enorme no PIB, que sustenta uma parte muito significativa da mão-de-obra especializada que trabalha no sector automóvel em Portugal e que vive das vendas e exportações do segmento de veículos a diesel”, refere Helder Pedro. Ao todo, em Portugal há 900 empresas no sector automóvel, que empregam 72 mil trabalhadores e são responsáveis por 5,9% do PIB.

“Mais importante que desincentivar a compra de veículos a diesel seria promover a renovação da frota dos 700 mil veículos envelhecidos que continuam a circular em Portugal com mais de 20 anos, quando a própria idade média do parque automóvel português é muito elevada, com 12,6 anos”, defende Helder Pedro.

 

 

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