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A Europa sobrevive ao fim do motor a combustão?

José Couto, presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, esteve no “Money, Money, Money” para falar sobre o fim dos motores a combustão na Europa em 2035

in Expresso, por Amadeu Araújo, 21-07-2022


União Europeia determinou o fim da produção de automóveis com motor a combustão em 2035. Com 98% dos carros produzidos na Europa fornecidos, em parte, com componentes portugueses, a indústria antevê dificuldades nesta transição. Uma reconversão que vai exigir investimentos, mas os fabricantes de componentes têm uma certeza: “A indústria vai ter que se adaptar para responder às necessidades dos construtores” automóveis, aponta José Couto. E os desafios são enormes, a começar na imposição de um prazo. “É positivo fixar um prazo, para perceber o que temos que fazer, mas é um período muito curto” para uma tarefa “que não se faz de um dia para o outro”, assume o presidente da AFIA, a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel. “Adaptar fábricas, modelos e mercado ao mesmo tempo na Europa, que é um dos principais mercados mundiais, exige muito investimento, e falta pouco tempo”, diz José Couto.

É preciso saber “quantos postos de trabalho podem estar em causa” e quais os combustíveis alternativos. A indústria automóvel “está a lançar novos produtos, elétricos e híbridos, a desenvolver soluções para funcionamento de motor a hidrogénio”. As novas soluções “estarão no mercado daqui a três anos” e há “um esforço brutal a fazer”.

José Couto elenca “investimentos avultados com uma data apertada” e aconselha “mais cinco anos” para a transição. Porém, há uma certeza: “Iremos vender menos automóveis.” Portugal “fabrica componentes para 98% dos automóveis produzidos na Europa” e será “capaz” de responder às exigências e produzir para o novo produto automóvel. O problema “é a velocidade a que nos estão a exigir”.

Necessidades de capital para responder aos novos desafios e manter “o crescimento anual de 8% que a indústria de componentes regista”, afirma José Couto. Nalguns países os governos têm estado muito atentos às respostas de modernização das empresas, “em Portugal temos problemas para capitalizar as empresas e aumentar as competências dos nossos trabalhadores”, lamenta o dirigente.

Acresce que o país precisa de manter os construtores automóveis de que dispõe. Casos como a Volkswagen ou a Stellantis e que levam José Couto a pedir a intervenção do Governo. Uma “postura pró-ativa de antecipar problemas”. A começar na logística, “crucial para produzir veículos elétricos” em Portugal, com a importação de baterias no radar das preocupações. Com duas fábricas de baterias em Espanha, sem comboios e o transporte rodoviário amea­çado pela descarbonização, produzir automóveis elétricos em Portugal “trará um custo adicional”. Ainda assim há uma oportunidade para a indústria de componentes automóveis. Espanha é o primeiro cliente das peças fabricadas em Portugal, Alemanha o segundo. José Couto alerta, contudo, que é preciso captar investimentos para um país que terá, “aqui ao lado”, duas fábricas de baterias. O sector “aprendeu a gerir os desafios da logística” e tem “vantagens competitivas” para oferecer, reconhece o dirigente.

Mas há um problema, alerta José Couto. O fim dos motores de combustão vai privar Portugal de €4 mil milhões de receitas fiscais, oriundas do sector automóvel. “É preciso repensar como vamos fazer o orçamento, temos de ser criativos em termos de impostos”, aconselha.

 

Oiça aqui o podcast:

 

 


 

NÚMEROS

  • 1100
    • é o número de empresas nacionais que integram a fileira dos componentes e que produzem para a indústria automóvel
  • 61
    • mil trabalhadores estão no sector de componentes automóveis, cuja função é produzir para as empresas construtoras

 

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