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A capitalização das empresas é crucial

Artigo de opinião

José Couto
Presidente do Conselho Diretor da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel

in Revista Moldes & Plásticos / Jornal de Leiria, 01-10-2020


As empresas componentes da Indústria Automóvel têm, mais uma vez, um desafio de uma grande dimensão. É que para além de terem que enfrentar o dia a dia caótico protagonizado pela crise pandémica, terão que enfrentar as alterações que se apresentam no mercado automóvel e consequentemente as reações que os construtores irão promover.

As empresas que trabalham em Portugal tiveram um desempenho assinalável, durante a última década, porque conseguiram reconhecimento, junto dos construtores e fornecedores de primeira linha, e crescer mais do que o mercado na Europa, visível nos números que indicam um crescimento de 7% em média ano, o que é claramente uma afirmação de competitividade. Todos conhecíamos as projeções, pré coronavírus, para o ano de 2020, que mostravam um abrandamento do mercado, por força dos desafios que se apresentavam à Indústria Automóvel num contexto de descarbonização e com as crescentes soluções em termos de mobilidade. As expetativas eram de um ligeiro abrandamento da produção de veículos automóveis na Europa a par do lançamento de novas soluções por parte dos Construtores, que induziriam alterações no produto final, em concordância com as metas ambientais, consubstanciadas pelo Green Deal. Porém, muito muda com a crise epidémica. O que sabemos da evolução do produto automóvel no curto prazo é bastante menos do que seria normal, mas o que sabemos mostra que vários projetos foram suspensos e outros estão em cima das mesas para serem repensados. Porém podemos estar seguros que muitas das decisões indicam uma antecipação do processo de descarbonização e que há uma forte pressão dos governos para que isso aconteça, provavelmente, em muitas das decisões, estará mais presente a premência de satisfazer um envolvente quadro de circunstâncias políticas. É dentro deste conturbado e hesitante processo de decisões dos governos europeus e da CE que há uma alteração nos planos de lançamentos de novos veículos com motorização ambientalmente mais amigável, onde ganha importância a solução elétrica.

A AFIA tem procurado perceber se as empresas portuguesas foram incluídas nos novos projetos de veículos automóveis, porque consideramos vital, para a manutenção de uma dimensão expressiva no contexto do cluster automóvel europeu, que possam manter-se como fornecedoras competitivas capazes de apresentar soluções, de fazer a diferença e serem fiáveis junto dos seus clientes. O afastamento relativamente a novos projetos terá consequências graves para os próximos anos.

É este um desafio que devemos encarar, as empresas têm que responder às dificuldades deste novo quotidiano, da queda do mercado, do redimensionamento da capacidade produtiva, da manutenção dos postos de trabalho, de cumprirem as responsabilidades económicas e sociais, de consolidarem os investimentos em curso e ao mesmo tempo orientarem-se para um futuro que exigirá mais investimento para se poderem adaptar e responder a uma nova competição, que exigirá conquistar um lugar na pole position. O que está em causa não são acréscimos de capacidade ou modernização de equipamentos, o que está em causa é o incremento de soluções tecnológicas e de processos de gestão necessários a manter a capacidade competitiva numa nova dimensão. Esta conjuntura representa uma ameaça para as empresas fabricantes de componentes para a Indústria Automóvel, porque exige meios financeiros substanciais, reforço de competências, uma forte ligação às instituições tecnológicas que produzem saber e às instituições de ensino superior.

É preciso não perder empresas e adequar as respostas a novos desideratos. É crucial que as empresas se mantenham capitalizadas e focadas no que é necessário para serem competitivas e capazes de se manterem como fornecedoras de uma indústria tão exigente e que se prepara para se reinventar num futuro imediato. Será um esforço suplementar, que não poderá ser solitário.  A capitalização das empresas é crucial e o governo tem que saber responder com os meios e formas adequadas.

 


 

Pode efetuar o download da Revista Moldes & Plásticos, ficheiro pdf

AQUI

 

https://drive.google.com/file/d/1j9_6F1o0mTeSlv2XmumSnJOkZu3yyzez/view

 

One thought to “A capitalização das empresas é crucial”

  1. Embora esteja de acordo com os comentários descritos acima, a parte final do artigo acerca da intervenção do Governo na capitalização das empresas, é um equivoco.
    Em momento algum o Estado deve ser chamado a financiar a capitalização das empresas privadas, exceto quando, por questões de regime político passam a ser pertença do Estado.
    Cabe aos investidores e empresários dotar as empresas dos meios financeiros necessários para que o seu negócio tenha a estabilidade económica em função do mercado onde opera e da estratégia definida.
    Estratégia é ter visão acerca do futuro previsível das mudanças na sociedade, adaptando as empresas a essas mudanças de forma antecipada. Por isso se diz, que as crises são oportunidades de conquista, para aqueles que estão sempre preparados para elas, como guerreiros bem treinados para a batalha.
    Infelizmente o que se verifica com muita frequência é que as empresas estão mal preparadas na sua gestão e mal dimensionadas no seu papel de gerar as receitas necessárias para assumir as responsabilidades com os seus “Stakeholders”.
    Como exemplo da falha de estratégia e competitividade de muitas empresas do setor do âmbito da AFIA, é a ausência generalizada da Certificação IATF 16949:2016.

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