Grafeno, o material milagroso que é usado para tornar os aviões mais leves

O grafeno, isolado pela primeira vez em 2004 pelos laureados com o Prémio Nobel, os investigadores Andre Geim e Konstantin Novoselov, da Universidade de Manchester, é feito de uma única camada de átomos de carbono. Suscitou imediatamente o interesse do mundo científico pelas suas propriedades excecionais.

in Jornal de Notícias, 28-06-2024


Forte, leve, flexível e capaz de conduzir calor e eletricidade, o grafeno tem inúmeras aplicações potenciais, incluindo em eletrónica avançada, baterias, materiais compósitos de elevado desempenho e dispositivos e sensores médicos inovadores. O projeto Graphene Flagship, uma iniciativa de 10 anos financiada pela UE e lançada em 2013, tem estado na vanguarda do desenvolvimento de tecnologias baseadas no grafeno e do incentivo à colaboração entre o meio académico e a indústria.

Com a participação de mais de 178 parceiros de investigação académicos e industriais, foi um dos quatro esforços de investigação e inovação colaborativa a longo prazo e em grande escala organizados pela UE no âmbito do seu programa Tecnologias Futuras e Emergentes (FET), concebido para apoiar a investigação colaborativa na fase inicial de novas tecnologias revolucionárias. Os outros três foram o projeto Human Brain, Quantum Technologies Flagship eBattery2030+.

O objetivo do projeto Graphene Flagship era criar novas tecnologias baseadas no grafeno e noutros materiais 2D relacionados e garantir que essas novas tecnologias passassem do laboratório para a sociedade sob a forma de novos produtos, empresas e oportunidades de emprego.

Ajudou a fazer da Europa um líder internacional no domínio do grafeno e dos materiais em camadas, criou uma forte comunidade colaborativa, bem como normas pioneiras em matéria de regulamentação de segurança e políticas de produção.

Patrik Johansson, diretor do projeto Graphene Flagship, responde às perguntas da revista Horizon relativa à singularidade do grafeno, o caminho percorrido nos últimos 10 anos e o que está para vir.

O que é que o grafeno tem de tão especial?

O grafeno é simples e belo. É o material mais fino do mundo: uma camada de carbono com a espessura de um átomo, um milhão de vezes mais fino do que um cabelo humano. Ao mesmo tempo, é muito forte, mais do que o aço e o diamante.

O grafeno também é muito flexível e um excelente condutor de eletricidade e calor. E, claro, o grafeno é leve; tem apenas uma camada de atámos de carbono!

Tudo isto combinado num único material é verdadeiramente único e é por isso que vemos um potencial tão grande em diversos setores de mercado tão diferentes.

Até onde chegamos nos esforços de levar o grafeno do laboratório para a sociedade?

O grafeno já percorreu um longo caminho, tendo em conta que foi isolado há apenas 20 anos. Atualmente, o grafeno é produzido em quantidades comerciais e utilizado ativamente numa série de materiais compósitos para aplicações que vão desde o equipamento desportivo aos automóveis e aviões, bem como em condutas de petróleo e água.

As aplicações em eletrónica, baterias, filtros de purificação de água e ar, sensores biomédicos e outros tipos de sensores estão também no mercado, ou muito perto dele. O mercado global do grafeno atingiu uma receita anual estimada de 380 milhões de dólares (350 milhões de euros) em 2022 e é expectável que cresça para os 1,5 mil milhões de dólares (1,38 mil milhões de euros) até 2027.

Em que áreas o grafeno e outros materiais 2D estão a apresentar um maior contributo para a inovação e competitividade europeia?

O grafeno e outros materiais 2D prometem revolucionar aplicações em muitas das indústrias chave da Europa. Para dar apenas um exemplo, os principais parceiros do projeto Graphene Flagship, como a Airbus, a Lufthansa e a Leonardo, demonstraram as possibilidades do grafeno e dos materiais 2D na aeronáutica. O grafeno já está a ser utilizado em materiais compósitos que tornam os aviões mais leves e robustos.

Os nossos investigadores também desenvolveram protótipos de filtros de ar de grafeno capazes de remover impurezas de forma mais eficaz do que os filtros HEPA e compósitos condutores de eletricidade que podem manter os aviões sem gelo.

Outra perspetiva é a de que o grafeno está pronto para revolucionar a indústria dos semicondutores, melhorando o desempenho das bolachas de silício tradicionais.

Os progressos europeus neste domínio poderão contribuir para reduzir a dependência da Europa em relação ao abastecimento externo de materiais escassos e prejudiciais para o ambiente, resultando numa Europa mais segura.

Qual o papel que os materiais 2D podem desempenhar no avanço dos objetivos da Europa em matéria de sustentabilidade?

Os materiais 2D podem apoiar os objetivos de sustentabilidade através da promoção de uma melhor utilização das matérias-primas, bem como da contribuição para a recolha, conversão e armazenamento de energias renováveis. Estes irão ajudar a tornar a tecnologia mais ecológica.

A condutividade elétrica do grafeno faz deste um substituto adequado para determinadas matérias-primas escassas e, ao eliminar os fios de cobre na eletrónica e nos componentes eletrónicos dos automóveis e aviões, ajudará a tornar estes produtos mais fáceis de reciclar.

O investigadores do Graphene Flagship demonstraram que os painéis solares melhorados com grafeno oferecem uma maior eficiência e durabilidade. O grafeno pode também ajudar a produzir baterias mais duradouras e mais eficientes para carros elétricos e outras aplicações. Os filtros de água no ponto de utilização feitos com grafeno são capazes de filtrar até os contaminantes emergentes, cada vez mais presentes nas fontes de água europeias.

Para além disso, o próprio grafeno pode ser produzido a partir do carbono contido em resíduos como pneus velhos de automóveis e resíduos orgânicos, o que faz deste um produto ideal para uma economia circular ecológica.

O quão seguros são estes novos materiais?

A saúde e a segurança têm sido uma preocupação fundamental para o Graphene Flagship desde a sua criação, com um grupo de trabalho especializado dedicado a este aspeto desde o início.

Devido aos diferentes métodos de produção envolvidos e às várias formas que pode assumir, o grafeno não é apenas um material, mas sim uma família de materiais.

Embora seja necessária mais investigação sobre os efeitos do grafeno na saúde, todos os dados recolhidos até à data sugerem que o grafeno não é prejudicial para os seres humanos e é biodegradável no corpo humano.

Também estamos a investigar os efeitos do grafeno no ambiente. O Graphene Flagship colaborou com os organismos REACH/ECHA da Comissão Europeia para avaliar as propriedades materiais do grafeno em todas as suas formas e avaliar quaisquer questões de saúde e segurança ou ambientais a ele associadas.

Quais são as principais conquistas dos primeiros 10 anos?

O simples facto de o grafeno ter passado do laboratório para aplicações comerciais num espaço de tempo tão curto é um grande feito. Para além disso, o Graphene Flagship criou um verdadeiro ecossistema para a investigação e inovação do grafeno na Europa.

Tal, também vai além dos parceiros financiados pela UE no âmbito do projeto Graphene Flagship. O nosso modelo, que inclui membros associados e projetos em parceria, permitiu-nos incluir um leque ainda mais vasto de parceiros académicos e industriais com quem colaborar. A perspetiva de longo prazo e o apoio financeiro recebido têm sido um fator crucial para facilitar este processo.

Temos sido também um investimento extraordinariamente bom para a Europa. Para os projetos FET em geral, a UE estabeleceu o objetivo de gerar um pedido de patente por cada 10 milhões de euros de financiamento. Em dezembro de 2023, o projeto Graphene Flagship tinha atingido 3,5 pedidos de patentes por cada 10 milhões de euros.

O projeto Graphene Flagship também excedeu amplamente o objetivo de publicações científicas. Um relatório de impacto económico do WifOR Institute concluiu que o projeto Graphene Flagship terá contribuído com 3,8 mil milhões de euros para o PIB da economia europeia entre 2014 e 2030 e ajudado a criar 38 400 postos de trabalho nos países da UE.

O que é que o projeto Graphene Flagship tem de único?

O projeto Graphene Flagship é único entre os projetos financiados pela UE, tanto pela sua dimensão como pela sua longevidade. Ao dispor de um único projeto que abrange todo o espetro da investigação sobre o grafeno e outros materiais 2D, foi possível partilhar dados entre um vasto leque de parceiros e evitar sobreposições e redundâncias.

É importante notar que o facto de o nosso financiamento estar garantido por um período mais longo permitiu que os nossos parceiros se empenhassem em trabalhos mais ambiciosos. Este período de tempo mais longo ajudou a criar uma verdadeira comunidade de investigação e inovação no domínio do grafeno na Europa e abriu espaço para o desenvolvimento da confiança entre os parceiros. Tal, facilitou as colaborações e a partilha de conhecimentos que, em última análise, produziram melhores resultados.

Ao longo de um período de 10 anos, tivemos também a oportunidade de avaliar melhor o impacto a longo prazo do projeto de uma forma que não é realmente possível com um projeto típico de três anos.

A título de exemplo, as patentes podem demorar anos a ser aprovadas e os produtos precisam de várias iterações e verificações de segurança antes de estarem prontos para o mercado. O Graphene Flagship teve tempo para desenvolver as tecnologias e acompanhar os seus progressos, em última análise, com benefícios reais para a indústria e a sociedade europeias.

O que é que o futuro reserva para o Graphene Flagship e os materiais 2D?

O Graphene Flagship continua agora a sua jornada sob uma nova forma no âmbito do Horizonte Europa. Sob a égide do Graphene Flagship, um orçamento de mais de 62 milhões de euros financia 12 projetos de ação de investigação e inovação em curso que visam novos avanços nas áreas da energia, eletrónica e fotónica, aplicações biomédicas e compósitos, bem como o desenvolvimento de novos materiais 2D. Estamos também a levar para o nível seguinte o 2D-Experimental Pilot Line (2D-EPL), um dos projetos do Graphene Flagship, com uma proposta de uma verdadeira linha piloto que transformará a forma como os materiais 2D são aplicados na Europa. Além disso, a parceria Innovative Advanced Materials for Europe (IAM4EU), elaborada com o contributo da comunidade do projeto Graphene Flagship e da Advanced Materials Initiative (AMi2030), constituirá uma nova parceria público-privada (PPP) no âmbito do plano estratégico para o Horizonte Europa para 2025-2027.

Através destes desenvolvimentos em curso, o projeto Graphene Flagship continuará a ter um impacto na transição ecológica da Europa, na transição digital e na construção de uma Europa mais resiliente, competitiva, inclusiva e democrática.

 

 

Este artigo foi originalmente publicado na Horizon, a Revista de Investigação e Inovação da UE.

 

 

Portugal deve captar mais uma linha de montagem automóvel

“Portugal, entenda-se as entidades públicas em coordenação com as privadas, deveria ter um plano de contacto com todos os construtores de automóveis e com os grandes fornecedores/integradores internacionais de componentes para captar os seus projetos e investimentos” – adiantou à Vida Económica o secretário-geral da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA). Para Adão Ferreira, é necessário “atrair um novo construtor automóvel para estabelecimento de uma nova linha de montagem no país”.

in Vida Económica, 28-06-2024


Vida Económica  – Nos primeiros quatro meses do ano, em termos homólogos, verificou-se uma quebra nas exportações de componentes automóveis. A que se ficou a dever essa quebra?

Adão Ferreira – No acumulado até abril as exportações de componentes automóveis atingiram os 4.300 milhões de euros. Uma ligeira diminuição, 1,6%, relativamente ao período compreendido entre janeiro e abril de 2023. Esta descida das exportações poderá ser explicada em parte pela diminuição das vendas para o principal país cliente, Espanha (-3,2%) e para França, que registou uma descida de 26,.2% (3.º país cliente).

VE – A descida poderá ser uma tendência ou há maiores possibilidades de um aumento das exportações?

AF – As empresas enfrentam vários desafios resultantes da transição energética; transição digital; Situação geopolítica / Guerra comercial; Alterações climáticas / desastres naturais; Inflação dos custos: matérias-primas, energia, transporte; Disrupções nas cadeias de abastecimento. Enfim os empresários têm que Gerir a Incerteza.

A AFIA monitoriza sistematicamente o impacto que estes acontecimentos podem provocar na indústria automóvel, ajustando para cima ou para baixa as previsões.

VE – Quais os principais desafios que se colocam no mercado dos componentes automóveis?

AF – A indústria automóvel tem assistido a vários acontecimentos e desenvolvimentos marcantes nos últimos anos. Estes fenómenos estão a moldar o futuro do setor da mobilidade em termos de tecnologia, sustentabilidade, e preferências do consumidor. A indústria encontra-se numa encruzilhada, com várias tendências a alterá-la. Nomeadamente, tendências relacionadas com a Transição ecológica (eletromobilidade, pilhas de combustível a hidrogénio, etc.); e a Transição digital (conectividade, condução autónoma, software, etc.).

VE – Não existe uma dependência excessiva dos mercados europeus?

AF –  A vulnerabilidade das cadeias globais de abastecimento da indústria, tornou-se evidente com a recente crise do Mar Vermelho e Canal Suez. É imperativo e necessário rever toda a cadeia de valor na Europa e repensá-la como uma estratégia industrial europeia de longo prazo.

Estas crises, além de provocarem atrasos nas entregas, aumentam custos. A Europa deve reconsiderar a sua estratégia de fornecimento. Uma cadeia de abastecimento resiliente é fundamental.

Repensar a cadeia de abastecimento nesta estratégia industrial europeia passa por: promover a colaboração com a estrutura de fornecedores europeus estabelecidos e reduzir a dependência asiática na indústria. Através da relocalização de componentes-chave do ecossistema de mobilidade sustentável do futuro; e procurar fornecedores logísticos alternativos que combinem rotas marítimas, terrestres e aéreas com monitorização constante de modo a reduzir a incerteza na cadeia de abastecimento.

Enfrentamos um novo desafio para a indústria europeia; a deslocalização traz consigo o grande desafio de reativar ou promover indústrias-chave para o ecossistema da mobilidade. Mas manter o nível de competitividade do sector e estabelecer políticas europeias que ajudem as empresas é totalmente necessário nesta mudança de realidade e estratégia global.

Reduzir a dependência do abastecimento de outros continentes não só mitigará os atrasos, mas também contribuirá para a redução da nossa pegada de carbono, um dos desafios que devemos ter em conta na reconfiguração do novo mapa da cadeia de abastecimento em todo o mundo.

A evolução tecnológica do automóvel, como a limitação de emissões, a condução autónoma e o aumento da conectividade criam janelas de oportunidade para a indústria automóvel em Portugal.

A AFIA está em contacto permanente com todas as entidades que têm poder para influenciar o sector, sensibilizando-as para estas realidades e incentivando-as no sentido das intervenções possíveis e desejáveis.

Portugal, entenda-se as entidades públicas em coordenação com as privadas, deveria ter um plano de contacto com todos os construtores de automóveis e com os grandes fornecedores/integradores internacionais de componentes (os “Tier 1”) para captar os seus projetos e investimentos.

Deveríamos promover a imagem do país no exterior com vista à captação de mais investimento estrangeiro, com particular enfoque na necessidade de atrair um novo construtor automóvel para estabelecimento de uma nova linha de montagem. Aquela teria um elevado impacto de alavancagem para toda a indústria de componentes automóveis.

VE – As empresas nacionais de componentes estão preparadas para fazer face aos novos desafios que se colocam no setor?

AF – As empresas da indústria automóvel devem procurar posicionar-se em resposta a estes drivers de mudança: a transição energética, a transformação digital e a novos modelos empresariais.

A indústria portuguesa de componentes automóveis está a acompanhar a evolução do mercado, investindo continuamente na modernização das fábricas e na inovação dos processos de fabrico.

Entre 2015 e 2023 foram investidos 6.300 milhões de euros, o que representa 17% do investimento de toda a indústria transformadora.

A indústria portuguesa de componentes para automóveis tem preconizado um percurso virtuoso e de excelência, combinando a afirmação da sua competitividade com o esforço de penetração no mercado, ganhando quota de mercado, crescendo mais que a Indústria Europeia, o que teve como consequência a criação de emprego qualificado, o aumento das exportações e um conjunto de externalidades para a economia nacional, das quais destacamos o trade off com o sistema tecnológico e I&D nacional.

Como referido a Indústria Portuguesa de Componentes Automóveis tem revelado um desempenho acima da produção automóvel na Europa. Entre 2019-2023 cresceu a uma taxa de +5,9% ao ano, o que compara com um decréscimo médio anual de -4,3% da produção automóvel na Europa.

Esta performance só é possível ser conseguida pela resiliência, competitividade e fiabilidade continuadamente demonstradas pela indústria junto dos clientes internacionais. Refira-se que 98% dos modelos automóveis produzidos na Europa têm pelo menos um componente fabricado em Portugal.

VE – Quais as previsões para o setor este ano?

AF – A estimativa da AFIA para ano de 2024 projeta um crescimento de até 5%, face aos 12.800 milhões exportados no ano passado. Salienta-se que no ano de 2023 foram estabelecidos novos recordes absolutos quer em termos de volume de negócios (15.000 milhões de euros) quer das exportações.

A indústria portuguesa de componentes para automóveis oferece soluções para dar forma à mobilidade do futuro, inteligente e com baixas emissões de carbono. Contudo, uma das preocupações da AFIA reside na capacidade das empresas nacionais se manterem capazes de competir com as suas congéneres, continuarem a manter a expressão nos clientes e progredirem no processo de ganhar quota de mercado nos clientes.

A indústria automóvel tem uma relevância importante para a economia de Portugal, devido à sua capacidade de exportação, à criação de empregos qualificados, ao valor acrescentado e ao efeito catalisador noutros setores, nomeadamente enquanto motor da capacidade competitiva do ecossistema científico. Por isso, é fundamental estabelecer um quadro que garanta uma transformação cuidadosamente gerida para alcançar com sucesso a descarbonização e a digitalização da economia.

 

 

 

Presidente da AFIA reeleito para o Conselho Diretor da CLEPA

Varsóvia foi o palco da mais recente Assembleia-Geral da CLEPA onde José Couto, Presidente da AFIA, foi reeleito para o Conselho Diretor da CLEPA para o período 2024-2026.

in AFIA, 28-06-2024


A eleição foi efetuada no passado dia 13 de junho tendo recolhido a unanimidade dos votos dos presentes.

A CLEPA – European Association of Automotive Suppliers, associação europeia dos fornecedores da indústria automóvel, fundada em 1959 e com sede em Bruxelas é a entidade que defende os interesses do setor a nível europeu sendo reconhecida como parceira natural de discussão por outras instituições europeias, pelas Nações Unidas e por outras associações parceiras.

A CLEPA reúne 120 dos mais importantes fornecedores de componentes para automóveis, sistemas e módulos, bem como 20 associações nacionais, entre as quais a AFIA, assim como outras associações setoriais europeias.

A indústria europeia de componentes automóveis é líder mundial no fornecimento de componentes de ponta e tecnologia inovadora para a mobilidade segura, inteligente e sustentável, investindo mais de 30 mil milhões de euros por ano em investigação e desenvolvimento.

Os fornecedores da indústria automóvel empregam diretamente, na União Europeia, 1.700.000 pessoas.

A reeleição de José Couto para o Conselho Diretor da CLEPA vem dar uma força e visibilidade acrescida à AFIA e consequentemente à indústria portuguesa de componentes automóveis, sendo esta nomeação o reconhecimento do prestígio individual do nomeado, mas também o reconhecimento da crescente importância internacional da indústria de componentes automóveis portuguesa.

 

 

Presidente da AFIA participa em debate sobre o carro do futuro (com VÍDEO)

O carro do futuro vai constituir uma oportunidade ou uma ameaça para a indústria?

in AFIA, 28-06-2024


O setor automóvel é um dos setores mais dinâmicos da economia portuguesa, com um peso muito significativo no tecido industrial e no contributo para o Produto Interno Bruto Nacional. Tal como muitos outros setores, o automóvel enfrenta grandes desafios, resultantes da incerteza económica, da estabilidade – ou da falta dela – das políticas fiscais, desafios tecnológicos mas, sobretudo, ambientais. Pensar o carro do futuro é prepararmo-nos para a digitalização e para uma mobilidade mais sustentável.

Organizada pela CNN Portugal, em parceria com o Standvirtual, no dia 25 de junho, realizou-se no Museu do Oriente, Lisboa, uma conferência para debater “O carro do futuro” e que juntou vários especialistas.

O Presidente da AFIA, José Couto, participou numa mesa-redonda para debater o impacto do carro do futuro na cadeia de valor da indústria automóvel. Nesta conversa moderada pelo editor-executivo da CNN Portugal Vítor Costa, participaram também João Faustino (Presidente da CEFAMOL), Gonçalo Tomé (Vice-Presidente da APIP) e Nuno Rangel (Diretor da APLOG).

 

ASSISTA AQUI AO DEBATE (vídeo, será redirecionado para a página da CNN Portugal)

 

https://cnnportugal.iol.pt/videos/uma-oportunidade-ou-uma-ameaca-o-futuro-do-setor-automovel/667c00ec0cf2cd207b843749

 

 

 

Associados da AFIA Distinguidos com o Estatuto Inovadora COTEC 2024

A AFIA dá os Parabéns aos seus Associados galardoados com o Estatuto Inovadora COTEC!

in AFIA, 28-06-2024


Lançado em 2021, o Estatuto Inovadora COTEC é considerado um selo de reputação e prestígio que visa a distinção e reconhecimento público das empresas que, pela qualidade da sua liderança, gestão e desempenho, constituem um exemplo para o país.

Fruto de uma parceria com o sector financeiro, o Estatuto Inovadora COTEC reconhece o desempenho das empresas que se distinguem pelo seu investimento em inovação, robustez financeira e prestação económica. O Estatuto Inovadora é uma marca que reforça a reputação e prestígio das empresas e permite aceder a condições de financiamento mais favoráveis junto do sector financeiro.

O Estatuto Inovadora COTEC apresenta-se, ainda, como mais uma fonte de informação de empresas inovadoras, permitindo tornar ainda mais eficiente a avaliação do risco de crédito e assegurar vantagens na relação das empresas com o sector financeiro através de melhores condições de financiamento.

A COTEC Portugal recebeu candidataras de 2.242 empresas, tendo atribuído a certificação a 1.447 empresas com o Estatuto Inovadora COTEC.

Os Associados da AFIA distinguidos com o Estatuto Inovadora COTEC são:

  • A.E.S ADVANCED ENGINEERING SOLUTIONS – MOLDES, LDA.
  • AHENRIQUES – ELASTOMERS, S.A.
  • ASPÖCK PORTUGAL, S.A.
  • BRAMP – METAIS E POLÍMEROS DE BRAGA, LDA.
  • CELOPLÁS – PLÁSTICOS PARA A INDÚSTRIA, S.A.
  • CSPLASTIC, LDA.
  • EPEDAL – INDÚSTRIA DE COMPONENTES METÁLICOS, S.A.
  • ETMA – EMPRESA TÉCNICA DE METALURGIA, S.A.
  • FABOR – FÁBRICA DE ARTEFACTOS DE BORRACHA, S.A.
  • FEHST – COMPONENTES, LDA.
  • FLEXIPOL – ESPUMAS SINTÉTICAS, S.A.
  • IBER-OLEFF – COMPONENTES TÉCNICOS EM PLÁSTICO, S.A.
  • IMEGUISA PORTUGAL – INDÚSTRIAS METÁLICAS REÚNIDAS, S.A.
  • MANUEL DA CONCEIÇÃO GRAÇA, LDA.
  • MAXIPLÁS – PLÁSTICOS & ENGENHARIA, LDA
  • MICROPLÁSTICOS, S.A.
  • MOURA, MOUTINHO & MORAIS, S.A.
  • PECOL AUTOMOTIVE, S.A.
  • PLASTAZE – PLÁSTICOS DE AZEMÉIS, S.A.
  • PRIFER – FUNDIÇÃO, S.A.
  • PRIREV – SURFACE TECHNOLOGY, S.A.
  • RH OPCO ACADEMIA, LDA.
  • S.F.P.C. – SOCIEDADE FRANCO PORTUGUESA DE CAPACETES, S.A.
  • SÁCIA – COMÉRCIO E INDÚSTRIA AUTOMÓVEL, S.A.
  • SILENCOR – INDÚSTRIAS METÁLICAS, LDA.
  • SODECIA SAFETY & MOBILITY GUARDA, S.A.
  • SOPAIS – COMPONENTES METÁLICOS, LDA.
  • TRIMNW, MOULDED PARTS AND MONWOVENS, LDA.
  • YAZAKI SALTANO DE OVAR – PRODUTOS ELÉCTRICOS, LDA.

Esta distinção reconhece a robustez financeira, o investimento em capital de inovação e um desempenho económico e financeiro notável das empresas do sector de componentes para automóveis.

 

https://inovadora.cotec.pt/

 

 

Seat Martorell alcanza el récord de producción diaria con 2.646 vehículos

La planta de Seat Martorell alcanzó el récord histórico de producción diaria el 6 de febrero, con 2.646 vehículos. De cara al cierre de 2024, después de las paradas por la falta de cajas de cambio, se ve complicado batir la cifra del 2000, cuando se superaron las 516.000 unidades. Barcelona celebra la llegada de los nuevos Cupra León y Formentor.

in La Tribuna de Automoción, por Pablo M. Ballesteros, 27-06-2024


La fábrica de Seat en Martorell (Barcelona) tiene un objetivo diario marcado de 2.510 unidades. De ellas, 1.140 se hacen en la línea 1 (Ibiza y Arona), 1.092 en la 2 (Seat León y Cupra León y Formentor) y 278 en la 3 (Audi A1). Sin embargo, según su director, José Arreche, el 6 de febrero de este año se alcanzó la histórica cifra de 2.646 vehículos en 24 horas.

De cara al cierre del ejercicio, el responsable de la factoría, que estuvo presente durante el arranque oficial de la producción del Cupra León y del Formentor en la línea 2, espera superar las 500.000 unidades, lo que le acercaría a batir la producción de 2019, cuando se hicieron 500.005 coches, aunque aún estaría lejos de las 516.646 del año 2000. Esta previsión, según señala, se va actualizando mes a mes.

Eso explica la diferencia entre la cifra que señala el vicepresidente de Producción y Logística, Markus Haupt, que apunta que el pronóstico para la planta barcelonesa es de 519.000 unidades, que es la que se fijó en marzo de 2024, cuando inicialmente se había establecido 487.000, frente a las 443.443 de 2023.

Seat Martorell: en pleno proceso de transformación al eléctrico

Un número que ha ido variando en parte por los problemas de falta de cajas de cambio y de motores, que ha provocado paros principalmente en la línea 1. Este problema en la cadena de suministro se atajará en el corto plazo, según confía Arreche, a preguntas de La Tribuna de Automoción.La llegada de la actualización de los Cupra León y Formentor no es el único cambio que están viviendo las instalaciones de Martorell. En agosto comenzarán las obras en la línea 1 para poder recibir el proyecto Small BEV, personalizados en el Cupra Raval y el VW ID.2, ambos coches 100% eléctricos.

En principio, se prevé que la cadena esté lista a finales de 2025, momento en el que empezaría a montar preseries de estos modelos, para comenzar a fabricar en serie en 2026. Durante ese periodo el Seat Ibiza y el Arona pasarán a formar parte del sistema 3 y convivirán con el Audi A1.

Al respecto, Haupt aclara que ese traspaso es posible hacerlo en cuatro semanas, durante las que se actualizarán los flujos de materiales y de las actividades de trabajo, puesto que ahora el volumen es muy inferior. De hecho, pasará de un turno a tres.

La importancia de la inteligencia artificial

Los cambios físicos en la factoría —hasta en el área de pinturas se han ejecutado variaciones para poder acoger a los cero emisiones— conllevarán una inversión de 3.000 millones de euros, el doble de lo que se destinó para levantarla de cero en 1993 (1.430 millones). Sin embargo, no serán las únicas acciones, puesto que también se realizarán 300.000 horas de formación para los empleados.

La mayor cualificación de los empleados se une a una inversión en I+D+i que se traduce en emplear inteligencia artificial para comprobar varios puntos del proceso productivo, con el fin último de llegar a los cero defectos.

Por ejemplo, con 20 cámaras se verifican 60 puntos del chasis (70 en el caso de los híbridos enchufables) antes de que se junte con la carrocería, en el momento conocido industrialmente como la boda. También se comprueba que no haya impurezas en el proceso de pintura o que las piezas estén perfectamente encajadas sin que sobresalgan.

 

 

Stellantis Mangualde vai entregar 719 carros elétricos ao Serviço Nacional de Saúde

Marcelo Rebelo de Sousa em Mangualde

in Mangualde online, 27-06-2024


A fábrica automóvel da Stellantis, em Mangualde, vai entregar 719 carros elétricos ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A entrega será feita “de forma simbólica” na próxima terça-feira (2 de julho), na presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do CEO (presidente executivo) da Stellantis, Carlos Tavares.

Os carros serão dados a diversas entidades do SNS, na mesma altura em que a Stellantis assinala a produção dos primeiros veículos elétricos na unidade industrial de Mangualde.

 

 

Road to autonomous driving: BMW is the first car manufacturer to receive approval for the combination of Level 2 and Level 3

  • Level 2 and Level 3 functions now offered for the first time in the new BMW 7 Series
  • BMW Highway Assistant and BMW Personal Pilot L3 now available together
  • Even greater comfort on short and long motorway journeys

in BMW Group, 25-06-2024


 

BMW is the first carmaker in the world to receive approval for a combination of a Level 2 driving assistance system (the BMW Highway Assistant) and a Level 3 system in the form of the BMW Personal Pilot L3 in the same vehicle. The new BMW 7 Series therefore sets a milestone in the field of automated driving by offering a unique opportunity to enjoy the benefits of both systems in the same car.

BMW Highway Assistant (Level 2): greater comfort on long journeys.

This advanced Level 2 feature enhances comfort significantly on long-distance journeys especially thanks to its ability to operate at speeds up to 130 km/h (81 mph). The BMW Highway Assistant is an additional function of the Steering and Lane Control Assistant that can be used on motorways with structurally separated carriageways. On such stretches of road, the driver is able to take their hands off the steering wheel for longer periods and position them comfortably, provided they continue to pay attention to what is happening on the road and are able to take over the steering again at any time.

While driving in partially automated mode, the BMW 7 Series Sedan is also able to make lane changes without the driver having to take hold of the steering wheel again. This is made possible by the Active Lane Change Assistant, which performs the necessary steering movements for the overtaking manoeuvre and adjusts the vehicle’s speed as required as soon as the traffic situation permits. Plus, the driver is able to initiate a lane change suggested by this system by simply looking in the exterior mirror to confirm it.

BMW Personal Pilot (Level 3): allowing other in-car activities in traffic jams.

Highly automated Level 3 driving means drivers can take their hands off the steering wheel and temporarily turn their attention away from the road. The BMW Personal Pilot L3 feature in the 7 Series offers a whole new driving experience by enabling drivers to fully delegate the task of driving to their car under certain conditions at speeds up to 60 km/h (37 mph) and look away from the road. Highly automated systems are capable of completely taking over the driving in specific situations, e.g. in traffic jams on the motorway. This even lets drivers carry out other in-car activities, such as making phone calls, reading, writing messages, working or streaming videos. However, the driver must always be prepared to reassume control within a few seconds when prompted by the car, for example when there are roadworks.

The combination of all these driving assistance systems within a single vehicle represents a significant advance and offers a comprehensive set of functionalities for a more comfortable, more relaxing drive over both long and short journeys. “We are setting new standards in the automotive industry by combining both technologies in the new BMW 7 Series,” says Dr. Mihiar Ayoubi, Senior Vice President Driving Experience BMW Group. “In the process, we are underlining our commitment to offering our customers a safe, comfortable and innovative driving experience.”

The BMW Highway Assistant and Driving Assistant Professional are both part of the optional BMW Personal Pilot L3, which is available exclusively in Germany priced at € 6,000 (incl. VAT). Drivers of cars equipped with the optional BMW Personal Pilot L3 that have already been delivered will be able to add the BMW Highway Assistant to its range of functions free of charge from 08/24.

 

 

Bosch investe dois milhões em parque geotérmico na fábrica de Braga

Implementado entre 2022 e 2023, este novo projeto de descarbonização da Bosch em Braga inclui um sistema de bomba de calor geotérmica, que se traduz na combinação ente uma bomba de calor e 140 sondas geotérmicas levadas até uma profundidade de 133 metros.

in Jornal de Negócios, por Bárbara Silva, 24-06-2024


A Bosch Car Multimedia Portugal acaba de instalar na sua unidade em Braga um parque geotérmico que permite cumprir o objetivo de pôr fim ao uso de combustíveis de origem fóssil nestas instalações (sobretudo gás natural), sendo que a partir de agora toda a energia consumida será proveniente de fontes renováveis. Tratou-se de um investimento de dois milhões de euros, integrado no quadro de atuação do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência) para a descarbonização da indústria.

Desenvolvido e implementado entre 2022 e 2023, este novo projeto de descarbonização da Bosch em Braga materializou-se através da instalação de um sistema de bomba de calor geotérmica, que se traduz na combinação entre uma bomba de calor e 140 sondas geotérmicas levadas até uma profundidade de 133 metros. De acordo com a Bosch, trata-se de uma das maiores centrais geotérmicas em Portugal continental.

Através das 140 sondas geotérmicas e da bomba de calor de condensação a água, este sistema tem a capacidade de fornecer energia térmica em arrefecimento ou aquecimento de uma forma mais eficiente e económica do que qualquer outro sistema convencional, permitindo reduzir as emissões poluentes em cerca de 600 toneladas de CO2 por ano. O projeto integra-se no plano alargado de transição energética da empresa, que tem como um dos principais objetivos a eliminação do uso de gás natural como fonte de energia primária.

Do conceito base deste projeto fazem ainda parte outras medidas adicionais, que passam por diferentes soluções complementares de: recuperação de energia da infraestrutura já existente, nomeadamente dos equipamentos de produção de ar comprimido e de produção de água fria; sistemas de bomba de calor e arrefecimento de elevada eficiência sazonal; e a permanente monitorização e otimização da gestão técnica dos edifícios, de forma a tornar o controlo dos sistemas de aquecimento, ventilação e ar-Condicionado mais autónomos e eficientes.

Combinadas, estas medidas equivalem a uma poupança de aproximadamente 5.740 MWh de gás natural, o que corresponde a uma redução anual das emissões de 1.160 toneladas de CO2.

“Este projeto de descarbonização é muito relevante e significativo para a unidade da Bosch em Braga. Não é um projeto isolado, pois enquadra-se dentro da estratégia de transição energética que a Bosch está a colocar em prática em todas as áreas do negócio, seja com aplicação de medidas e soluções que promovem a eficiência energética nas suas diferentes localizações, como também na vertente de desenvolvimento de serviços, e produção de tecnologias e produtos”, afirma Carlos Ribas, representante da Bosch em Portugal e diretor técnico da Bosch em Braga.

Com a eletrificação total da unidade da unidade da Bosh em Braga, a empresa investiu também na instalação de 5.934 módulos solares fotovoltaicos capazes de gerar anualmente 4GWh de energia elétrica, para autoconsumo na sua totalidade. Esta produção corresponde a cerca de 10% da energia necessária neste complexo industrial.

O objetivo é continuar a expandir a produção de energia através de módulos fotovoltaicos até atingir uma capacidade de produção anual de 12GWh até 2027, o que irá aumentar a resiliência energética do complexo para 30% das necessidades.

No passado, a fábrica da Bosch em Braga utilizava um mix energético de eletricidade e gás natural, com este último a ser usado maioritariamente na produção de água quente que, por sua vez, se destina aos sistemas de aquecimento e de controlo da climatização em todos os edifícios deste complexo industrial. Em 2021, o consumo de gás natural, única fonte de energia proveniente de combustíveis fosseis nessa altura, foi de apenas 6% do consumo energético total, o que motivou a implementação deste projeto de descarbonização.

Para tal, diz a Bosch, foram feitas análise através da monotorização dos dados dos consumos energéticos em tempo real nos várias edifícios numa plataforma de gestão de energia desenvolvida no âmbito da digitalização e da aplicação de soluções indústria 4.0 na unidade da Bosch em Braga. Estes dados permitiram a otimização e redução dos consumos associados aos sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado, nomeadamente os da utilização de água quente, proporcionando uma visão geral e abrangente do desempenho do sistema.